Sexta-feira, Março 12, 2010
Há um outro em mim
Perdi a sensibilidade
Perdi a essência
Que lapidamente demorei a construir
Porque o mundo me exigia assim
Quis vencer e resolvi seguir em frente
Quando dei por mim
Eu não estava mais ali
Porque ali não era o lugar do eu
Ali era o lugar do outro que se transformou em mim
Ou o mim que se transformou no outro
Quando dei por mim
Me transformei no outro para compreender o outro
E de repente, quando dei por mim,
O outro havia se transformado no que eu era
Quando dei por mim
Já tinha me dado pelo outro
E me transformei no outro que se tornou em mim
Sexta-feira, Novembro 06, 2009
Quarta-feira, Julho 01, 2009
Essência

O mundo está perdendo sua essência. Essa corrida contra o tempo nos remete ao contrário, nos faz perder tempo demais. Nos deixa cegos. Nos faz esfalerar nossa própria essência. Nossa única essência. Singular. Há tantas coisas a nossa volta que passam despercebidas. Já parou para sentir o aroma que àquela árvore em frente à sua casa espalha? Àquela flor que brota no meio de tanto concreto preenchendo todo o cenário cinza. Sujo. Mas ela está ali, mostrando que há vida. Que há cor. Que há pureza.
O cheiro… Cada coisa, cada lembrança, cada toque. Toque com a alma. Essência! Morrer de rir, andar descalço no barro, correr na chuva, deitar na grama, esteja ela molhada ou não. Dançar. Se libertar. Ousar de cada limite do corpo. Rir. Ver a graça das coisas. As coisas têm graça, sabia? Lembra-se disso?
Ouvir o que àquela música quer transmitir, o que ela pode te transmitir. Sentir o som, cada nota, cada instrumento. Deixar-se envolver. Balançar-se junto ao ritmo com os olhos fechados, deixar entrar no sangue, arrepiar-se. Senti-la viva. Viva em si. Um momento íntimo. Você e a música.
Subir o pico mais alto só para contemplar as estrelas. Ou fazer isso da sua varanda mesmo. Da sua janela. O importante é deixar-se iluminar por aquele brilho, tomar banho de lua! De luz. Mas se possível, suba o pico mais alto. Escute o silêncio. O som do silêncio. E tente pensar em nada pelo menos por alguns segundos. Paz.
Desprender-se. Fazer o que tiver vontade, na hora que der vontade. Mas lembre-se sempre da essência. Porque dessa maneira não se arrependerá.
E, por fim, amar sem medo.
Terça-feira, Março 24, 2009
Palavras & desespero

É nas palavras que encontro o meu desespero. Não o desespero no sentido literal, pejorativo, afinal, desespero nem sempre é tão ruim assim. As palavras me envolvem de tal maneira que desbravam meus segredos mais íntimos e me fazem quase que como uma obrigação vomitar todo o sulco do desespero dos meus sentidos. E cada vez que eu transformo isso numa catarse escancarada, escancarada somente a mim, um turbilhão de pensamentos vêm à tona. Somente a mim por, na verdade, não gostar da voz alta, tomando essas palavras, junto ao desespero, algo parecido quando Marisa Monte define o seu (ou meu) “infinito particular”.
Observo. Nunca fui de falar muito, prefiro ser envolvida pelas palavras. Gosto de ser devorada por elas, ultrapassando qualquer entendimento. O que seria de mim se não existisse essa semiótica? O que levou ao primitivo inventar códigos que se transformaram em letras que se transformaram em palavras que se transformaram em frases, que gerou a comunicação através de signos tão bem construídos, cada letra em sua entonação, cada frase uma interpretação, até a persuasão!
Palavras e desespero. Ouço cada uma delas da mesma maneira que ouço cada instrumento fazendo parte de uma música, ou uma música fazendo parte de cada instrumento. Absorvo cada uma bem empregada e me abstenho das que são mal colocadas. A palavra tem o poder de mudar todo o sentido, do simples ao complexo e vice-versa. Corre nos pensamentos em desespero tanto quanto corre no sangue o soar lírico de uma melodia construída detalhadamente para envolver...
Quarta-feira, Março 11, 2009
Argh!

E pensar que existem pessoas que vivem constantemente assim...
Segunda-feira, Março 09, 2009

Escrevi isso voltando de Resende, num domingo, quando uma mulher que aparentava uns 40 e tantos, deficiente mental, entrou no ônibus segurando sua boneca de plástico com uma senhora que aparentava ser sua mãe. Ela chegava perto e olhava nos olhos e berrava com pessoas que nunca havia visto na vida. As outras pessoas olhavam para trás assustadas, mas o que seus olhares transmitiam, na verdade, era a indignação de tal comportamento, posto que, para a maioria, é um comportamento anormal. Quem sabe, realmente, se o seu grito não era uma forma de dizer: "libertem-se desta nostalgia!".
Terça-feira, Novembro 11, 2008
Eis a questão
